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Notícias Acessibilidade na Web - nº 003/2005

SERPRO leva a letra a quem quer ler

Desde o ano passado, o Serpro dedica-se a pesquisar tecnologias que colaborem na política de inclusão digital do governo federal. Reuniu os melhores desenvolvedores, novatos da Casa que trouxeram das universidades os conhecimentos de última geração, treinou-os e alocou-os para a realização de pesquisas, visando atender o Projeto Estratégico de Acessibilidade Digital. O desenvolvimento de soluções tecnológicas está sob a responsabilidade da Fábrica de Software do Rio de Janeiro, da Superintendência de Produtos e Serviços - Soluções de Desenvolvimento - Supsd, sob o comando de Cláudio Dallalana, líder do Projeto e gerente da Fábrica. Os desenvolvedores Eduardo Alves de Oliveira, Marcelo Pires Bezerra de Lima e Mauro Cabral Agostinho são as "pratas" da Casa, que abraçaram a causa e vêem se especializando em tecnologias em software livre para oferecer aos cidadãos brasileiros com deficiência visual, a alternativa da inclusão social por meio da tecnologia da informação.

São 160 mil brasileiros com cegueira e 2 milhões de outros com baixa visão. Poucos tiveram a oportunidade de alfabetização e apenas uma parcela seleta, de melhor condição financeira, tem acesso às facilidades da informática. A qualidade de vida desses cidadãos depende diretamente da possibilidade de terem acesso à informação. A utilização do sistema braille, fundamental no
processo de alfabetização é excessivamente onerosa para quem quer manter-se informado. A alternativa possível para integração social e econômica desses brasileiros, propiciando-lhes pleno exercício da cidadania é a Tecnologia.

Existem atualmente várias ferramentas de acessibilidade digital para pessoas com deficiência visual, mas são, em quase sua totalidade, softwares proprietários, o que acarreta um custo alto para sua aquisição. A única ferramenta gratuita existente no mercado atualmente é o Dosvox, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. O Dosvox é um conjunto de programas que permite a acessibilidade digital através de um sintetizador de voz em português, mas ele opera somente sobre os sistemas operacionais proprietários.

O Serpro enxerga a comunidade de deficientes visuais como clientes em potencial que farão uso das ferramentas que estão em testes, outras, ainda em desenvolvimento. O Dosvox passa a operar também em plataforma Linux e passa a se chamar Sistema Interativo de Navegação no Linux - Sinal. Este é mais um marco na história da TI brasileira, pois torna possível a conjugação de duas políticas estratégicas para o Governo Federal: a adoção do software livre e a inclusão digital, propiciando uma economia da ordem dos milhões de reais, já que os resultados deste trabalho serão oferecidos gratuitamente à sociedade.

Outra ferramenta já em testes na Fábrica do Rio de Janeiro é a Leitura Eletrônica - Letra. Em um CD de áudio reproduzível em qualquer aparelho de som comercial, será possível, ao deficiente visual ouvir uma obra literária. Desta forma, de imediato, será possível oferecer aos estudantes com deficiência visual, a leitura sonora com o conteúdo dos principais livros didáticos adotados pela rede nacional de ensino. O sistema Letra, nesta primeira versão, utilizará um sintetizador de voz desenvolvido pelo antigo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento - CPqD, da Universidade de Campinas, recentemente privatizado.

Esses dois produtos, o Sinal e o Letra, serão demonstrados na Mostra de Tecnologia
da Informação e Comunicação, que será realizada em Brasília, nos próximosdias 15, 16 e 17 de março.

Além desses produtos, a Empresa está desenvolvendo um leitor de telas para funcionar sob o sistema operacional Linux, com previsão de entrega à sociedade brasileira, até o fim deste ano.

O Serpro realiza assim a política de inclusão digital, quando oferece seu conhecimento para a criação das ferramentas tecnológicas que permitirão, em um primeiro momento, aos deficientes visuais, os meios para realizarem seus estudos, encontrarem o mercado de trabalho mais amplo e integrarem-se através da comunicação, marca de nosso tempo.

Equipe de pesquisa da Fábrica do Rio de Janeiro.
Da esquerda para a direita: Mauro, Marcelo, Eduardo e o líder Dallalana.

Brasília, 03/03/2005
Concita Varella - Coordenação de Comunicação Empresarial SERPRO

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