Pensando em acessibilidade
Nesta edição abordamos o tema design e acessibilidade. O artigo a seguir é de Miriam Simofusa, da Divisão de Acessibilidade na Web da Superintendência de Produtos e Serviços Sistemas Corporativos do SERPRO.
"Sabemos que o acesso à Internet vem se popularizando a cada dia, assim como iniciativas e ações de inclusão digital tem sido, digamos, assunto do momento, embora essa questão não seja nova, pois os estudos sobre interação humano-computador existem já há algum tempo.
Que a inclusão digital seja na prática, cada vez mais uma realidade para aqueles que encontram barreiras ao acesso digital, incluindo aí o acesso à Internet, cuja importância como meio de comunicação e fonte de diversos benefícios, é indiscutível e, em especial para as pessoas com deficiência, a tecnologia Web tem proporcionado maior independência no dia-a-dia.
Os profissionais que trabalham com TIC (Tecnologia da Informação e Comunicações) têm papel fundamental para que a tecnologia digital, incluso aí as soluções Web, sejam projetadas com acessibilidade, ou seja, que a solução seja acessível para todos, inclusive usuários idosos e/ou com deficiência. É preciso que os profissionais de TIC se conscientizem da importância da acessibilidade digital e que este seja incluído em todos os projetos, tornando-se prática rotineira.
Especificamente na Web, a acessibilidade em sítios está ligada diretamente ao design. Design e acessibilidade andam juntas e de mãos dadas, pois os requisitos de acessibilidade do ponto de vista do usuário, estão na interface da página, assim como a usabilidade tem a ver diretamente com design e acessibilidade. E se quisermos continuar, tudo é relativo, já que Web design também tem a ver com outros elementos tão discutidos hoje em dia como portabilidade, Web standards, tableless, indexabilidade, XML, XHTML, CSS, arquitetura de informação, multiplataforma e por aí vai. Isto quer dizer que acessibilidade tem a ver com tudo isto. Sem falar que não basta uma página estar acessível, é necessário que as ferramentas assistivas, os browsers, os plugins e tudo o mais que tem a ver com a Web, também tenham sido projetados dentro dos padrões Web. Desta forma, a página será interpretada corretamente favorecendo o usuário, nosso maior objetivo.
Vale lembrar que um sítio projetado com acessibilidade beneficia não só usuários com deficiências mas usuários sem deficiência em características e situações diversas como por exemplo, quem possui impressora monocromática, conexão lenta, navegador textual e usuários de PDA e celular.
Mais especificamente, para os criadores de conteúdo de páginas Web, sejam eles designers, desenvolvedores, redatores ou outros profissionais diretamente ligados à interface de um sítio, é necessário que as recomendações para um sítio acessível sejam respeitadas e testadas durante o desenvolvimento. É importante que a acessibilidade ao conteúdo das páginas sejam implementadas desde o início e durante o desenvolvimento. Além de ser necessário efetuar testes e mais testes para avaliar a acessibilidade. Não só a validação automática é importante porque é muito mais rápida que a validação manual, como a chamada avaliação humana realizada por usuários reais e técnicos, porque estes irão detectar elementos que a validação automática não detecta como por exemplo, o contexto de um texto de um link, o texto de um equivalente textual de uma imagem, o contraste de cores, a navegação entre outros.
Para saber como criar ou tornar páginas Web acessíveis, há o "Guia para tornar páginas Web acessíveis" do Serpro. Este é um guia técnico e básico para os iniciantes em acessibilidade.
Por falar em SERPRO, os desenvolvedores Web das regionais foram capacitados por meio de um curso básico que abrangeu sensibilização, conscientização e conceito de acessibilidade e técnicas para conteúdo de páginas Web. Não basta aprender a técnica de fazer sítios acessíveis, isto é só uma parte. É importante que as pessoas sem deficiência se conscientizem, aprendam a lidar com pessoas com deficiência e também derrubem mitos e preconceitos. Para isto estão sendo programados outros treinamentos que envolverão todas as áreas da Empresa para que a iniciativa da acessibilidade esteja também presente nas áreas de negócios, comunicação, pessoas, segurança, aquisição, logística, etc.
Para finalizar, lembro que além da questão de seguir a política de inclusão digital e as leis sobre acessibilidade que órgãos, empresas e as pessoas devem seguir, existe a iniciativa pessoal, de cada um, respeitar a diversidade no mundo em que vivemos."
Brasília, 12/04/2005
Concita Varella - Coordenação de Comunicação Empresarial
SERPRO



