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ARTIGO 2

Artigo 2 - INTELIGÊNCIA DE NEGÓCIOS, A FRONTEIRA FINAL

A revolução Open Source chegou à Diretoria.

 
 

Capa - Matéria Artigo 2 - Tema 202

 

Em 1980, para pegar suas impressões na recém-inventada impressora laser da Xerox, Richard Stallman ia até o final do corredor apenas para descobrir que um atolamento de papel havia parado a impressora. Como resolver isso? Sem poder alterar a parte mecânica, resolveu repetir a mesma solução dada às outras impressoras: alterar o software para que esse enviasse avisos aos donos das impressões. Isso sempre levava a impressora a alguém capaz de desatolá-la. Mas a Xerox não abriu o código-fonte do driver da impressora, e o restante é história: graças ao movimento que Richard Stallman iniciou em 1983, em 2010 uma empresa pode ter 100% de seus sistemas informatizados com Software Livre (SL).

Business Intelligence (BI) é o conjunto de processos e tecnologias usados para obter percepções oportunas, precisas, valiosas e práticas sobre seus negócios. O Pentaho é uma suite de softwares livres, com o qual podemos criar soluções de BI. Essas devem ter um Data Warehouse (DW ou Armazém de Dados) e ferramentas de consulta, para explorar esses dados. O DW é um repositório de dados limpos, estáveis e organizados para consultas (ao invés de transações).

Soluções de BI permitem que perguntas críticas para o sucesso da empresa possam ser respondidas com clareza e segurança. Por exemplo, quantos empregados existem na empresa? Fazer essa pergunta sem um DW pode trazer respostas conflitantes (depende do departamento que responder). Ferramentas como OLAP ajudam a resolver situações problemáticas: primeiro, identificando-as e depois, graças ao recurso drill down, chegar à origem dos problemas. Processos de Data Mining (Mineração de Dados) podem ser usados para identificar tendências ocultas nos dados, que simples relatórios não mostram.

O grande retorno desse tipo de sistema justifica os altos preços dos fornecedores. Essas soluções, caras e amarradas aos fornecedores, não eram acessíveis à maior parte das empresas. Vários softwares livres de BI surgiram motivados por essa necessidade. Mas nenhum tão sofisticado e flexível quanto o Pentaho. Ele inovou não apenas ao trazer todas as ferramentas, mas também ao criar uma arquitetura de soluções de BI, antes disponíveis apenas nos softwares mais especializados e caros. Isso era, por si só, uma revolução na área. E a Pentaho foi mais longe: não existe diferença tecnológica entre as versões comunitária e corporativa.

Essa novidade causou uma onda de adoção do Pentaho que varreu o mundo. Milhares de empresas oficializaram a implantação de Pentaho, recorrendo ao suporte oficial, e muitas adotaram a suite para suas necessidades.

 

“A solução Pentaho dará aos usuários do Dest maior independência na exploração de seus dados que até então dependiam de equipe técnica.”

 

No Brasil, o Serpro é a primeira empresa a tornar 100% do Pentaho o padrão para criação de soluções de BI, para si e para seus clientes. Sua importância se tornou tão grande para a empresa que o próprio Diretor-Superintendente, Gilberto Paganoto, atuou para acelerar sua implantação. “Para o Serpro, o Pentaho possui um papel de tecnologia estruturante”, afirmou Gerson Tessler/Cetec, em 2009. Graças a essa ação, o Serpro entregou, em abril de 2010, um projeto Pentaho para o primeiro cliente dessa infraestrutura, o Dest. “A solução Pentaho dará aos usuários do Dest maior independência na exploração de seus dados que até então dependiam de equipe técnica”, diz Vinícius Motta, analista de negócios da conta Dest na SUNMP.

Muitas outras empresas do setor público também adotaram o Pentaho. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil são dois exemplos. Do setor privado, Martin-Brower e Têxtil Bezerra de Menezes são exemplos brasileiros. Entre as mais de 8 mil empresas que adotaram o Pentaho ao redor do mundo, temos GE, Ericsson, Swissport (Suíça), Mozilla Foundation, NHS (Inglaterra), T Mobile (Alemanha).

 

 

Fábio de Salles é analista de sistemas da Coordenação de Tecnologia do Serpro. Físico pela Unicamp, atuou como Gerente de Soluções no SAS, multinacional de BI. Trabalha no Serpro desde 2005. Faz parte do Comitê de Software Livre da Regional São Paulo e participa da Comunidade Brasileira de Pentaho, tendo motivado a criação do evento On-Line OpenTaho. Coordenou o primeiro protótipo Pentaho do Serpro, na Superintendência de Gestão Empresarial, onde atualmente colabora para expandi-lo.

 


 

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Ano XXXVI - Edição 202 Março/Abril 2010