O poder dos supercomputadores
Com a chegada do segundo lote do SX6, o Brasil passa a ser o único país da América Latina a contar com tecnologia de última geração na operação e pesquisa em tempo e clima.
Número 1 do mundo, o Earth Simulator, da Nec, fica em Yokohama, no Japão, e realiza mais de 35 trilhões de cálculos por segundo. Uma das atrações no mundo dos supercomputadores é a supermáquina do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que ocupa um espaço equivalente ao de 15 mil micros domésticos. O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Inpe, em Cachoeira Paulista (SP), recebeu recentemente o segundo lote do Nec SX6. Com a chegada da máquina, o Brasil passa a ser o único país da América Latina a contar com alta capacidade de processamento dedicado para operação e pesquisa em tempo e clima. Com ela, os pesquisadores do instituto esperam utilizar modelos acoplados do oceano com a atmosfera, modelos ambientais que incluam a química atmosférica e a interação com os ecossistemas.
"O supercomputador permitirá prever o tempo com maior precisão para os próximos 30 dias, além de obter dados mais precisos para os três meses seguintes. Lembrando que a previsão do tempo hoje é feita para os próximos cinco dias. A arquitetura desse gigante emprega um método de cálculos de vetores que permite o processamento simultâneo de enormes quantidades de números e centenas de instruções. O processador desta máquina é rigorosamente o mesmo utilizado no Earth Simulator, o maior supercomputador do mundo, instalado no Japão", comenta Jonas Tamaoki, gerente do departamento de computação de alto desempenho da Nec.
O SX6 tem 12 nós de processamento com oito processadores cada (96 processadores no total), 768 gigaflops de performance de pico, 768 gigabytes de memória e disco rígido de 16 terabytes. Pesa 13,5 mil quilos e utiliza quase 50 quilômetros de cabos. Os dois lotes foram comprados por US$ 24 milhões.
Na Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) estão ainda duas máquinas possantes, responsáveis pelo processamento de todas as informações que chegam e saem do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Os modelos são ES7000/540 e ES7000/520, ambos da Unisys. Os supercomputadores reúnem 64 processadores Intel (32 em cada máquina) de 64 bits, que realizam em média 600 mil transações por minuto. Além dessas máquinas, a Unisys conta com supercomputadores em várias operadoras de cartões de crédito e bancos, mas os nomes são mantidos em sigilo por questões estratégicas. "As empresas não gostam de mencionar os nomes e configurações das supermáquinas, que dirá o que elas fazem", comenta André Vilela, gerente de servidores corporativos da Unisys, lembrando que os supercomputadores têm um papel especial nas grandes empresas. "As máquinas podem reduzir pela metade o tempo de produção de um carro, além de dobrar o processamento de transações financeiras por segundo, ou seja, tudo que faz diferença na economia global", acrescenta.
"A Petrobras investe em supercomputadores desde a década de 80, quando se tornou imprescindível o uso dessas máquinas no processamento sísmico. Hoje, elas atuam principalmente na área de exploração, identificando através de cálculos matemáticos os lugares certos para a perfuração", destaca Paulo Fernando Almeida dos Santos, gerente de suporte técnico de TI para a área de exploração e produção da Petrobras.
Mais de 35 trilhões de cálculos por segundo
Entre cinco centenas de supercomputadores tão poderosos, como se determina com exatidão o posicionamento de cada um? Através de um benchmark denominado Linpack, que mede o número de cálculos que a máquina é capaz de efetuar por segundo. O poderio destas bombas da tecnologia atingiu uma proporção tal que a unidade de medida se situa atualmente nos teraflops, ou seja, trilhões de cálculos por segundo. A liderança absoluta do Top 500 continua, pelas contas dos especialistas, entregue ao já famoso Earth Simulator: o supercomputador da Nec.
A supermáquina, que estuda as variações climáticas da Terra, foi instalada em 2002, no Earth Simulator Center, em Yokohama. O supercomputador de referência mundial conta com 5.120 processadores, capazes de realizar 35,86 trilhões de cálculos matemáticos por segundo. Na segunda posição do ranking mundial aparece o Thunder, uma supermáquina Itanium 2 Tiger4 de 1,4 ghz com 4.096 processadores desenvolvida pela California Digital Corporation para o Laboratório Nacional de Lawrence Livermore, nos Estados Unidos. Em terceiro está o ASCI Q – AlphaServer SC45, supercomputador, com 8.192 processadores, criado pela HP, para o Laboratório Nacional de Los Alamos, também em solo norte-americano. O quarto lugar ficou com o IBM BlueGene/L, um protótipo que ainda se encontra na fábrica da IBM em desenvolvimento conjunto com o Lawrence Livermore para instalação futura no Thomas Watson Research Center – a Big Blue promete que este supercomputador irá tomar o lugar do Earth Simulator até junho de 2005.
A novidade é o projeto chinês Dawning, que pela primeira vez entra na lista dos dez supercomputadores mais velozes do planeta. O modelo 4000A com plataforma Opteron de 2,2 ghz e 2.560 processadores, criado por um integrador local, a Dawning. (jZ)
(Fonte: Estado de Minas – Informática – Divulgação - 4/8/04)