Mais uma versão do pingüim com jeito brasileiro
O Dreamlinux é baseado em três outras distribuições — o Debian, o Knoppix (em que se baseou o Kurumin Linux) e o Morphix, um Linux extremamente modular
Está disponível na grande rede mais uma distribuição Linux montadinha bem aqui na Terra Brasilis. Chama-se Dreamlinux e sua principal característica é ser extremamente modular, permitindo a personalização a gosto do freguês, com mais ou menos softwares, dizem seus criadores.
O Dreamlinux é baseado em três outras distribuições — o Debian, o Knoppix (em que se baseou o Kurumin Linux) e o Morphix, um Linux extremamente modular. Em comum com o Kurumin, tem a característica de ser rodável a partir do drive de CD-ROM (basta setar o BIOS para que a inicialização do computador se dê por este drive), mas pode ser bem mais leve. Segundo André Felipe, designer e um dos desenvolvedores da nova distribuição, o projeto contém versões light do sistema — chamadas de Little Dreams Collection. A idéia é que elas rodem em PCs mais simples, fugindo ao gigantismo dos atuais sistemas operacionais, mesmo os abertos.
"Com elas, bastará ter 64Mb de memória para rodar o sistema direto do CD-ROM", explica André.
A instalação full do Dreamlinux, caso se queira colocá-lo no HD, também não é pesada: basta ter 800Mb disponíveis em disco. Como hoje só se encontram nas lojas HDs de 80Gb para cima, é uma boa economia de espaço.
Mas o pulo-do-gato por trás do Dreamlinux, diz André, é o MK Distro Maker, ferramenta para construção de um sistema modular que permitiria a usuários mais experimentados no sistema criar sua própria distribuição.
"O MK Distro foi criado pelo desenvolvedor Nelson Gomes da Silveira, de Brasília, e permite montar uma distribuição a partir de vários módulos", diz André. O módulo básico consiste no kernel Linux e alguns programas essenciais. Outro módulo, o principal, conteria a interface gráfica. A partir daí, há minimódulos com os aplicativos propriamente ditos: OpenOffice.org, Gimp e por aí vai. O MK Distro é como um liquidificador onde você joga tudo isso e tem como resultado uma nova distribuição.
E esse esquema reduz o tempo de criação de uma nova distribuição pingüinesca — afinal, vários programadores podem trabalhar ao mesmo tempo em módulos diferentes. No mínimo, dá para pensar em três: um cuidando do módulo básico, outro do principal e o terceiro dos aplicativos.
O Dreamlinux tem correntemente uma versão com a interface Xfce4, que segundo o designer empresta do ambiente gráfico Gnome alguns aplicativos, como Gimp (para editar imagens) Gthumb (para capturar fotos de uma câmera digital) Gpdf (para ver arquivos PDF) e Gnumeric (para planilhas), além do editor de textos Abiword, do navegador Firefox, do tocador de MP3 Xmms e do player de vídeo Mplayer. Tem até o Gtkpod, programa para transferir músicas para o iPod. Os ícones dos programas são exclusivos e bolados pelo próprio André.
o Globo, André Machado, 30 de janeiro de 2006
