Spyware: feitos para espionar seu PC
Programas parasitas entram no PC enquanto você navega na rede; conheça-os e veja o que fazer para evitá-los
Mesmo se você mantém o computador limpo, sem vírus, ele pode estar sendo atacado por outra praga - os spywares. São programas maliciosos que bombardeiam o PC com anúncios, violam a sua privacidade (em alguns casos, possibilitam o roubo de senhas) ou estragam o Windows, tornando a máquina lenta.
É um problema endêmico: nos EUA, 61% das máquinas têm algum tipo de spyware. No Brasil, um dos mais conhecidos é o WinFixer, que deixa o PC lento e, em seguida, solicita um pagamento para "consertar o Windows" (leia mais abaixo).
Mas de onde vêm os spywares? Por que são criados? Como perceber se um programa é "do mal"? Como se defender?
A maneira mais fácil de pegar um spyware é instalar programas de procedência duvidosa. Você está navegando na internet e, de repente, aparece uma janela pop-up, que parece um aviso do Windows, e diz que o seu computador está lento, com vírus ou outro problema qualquer. A janelinha, naturalmente, se oferece para consertar tudo. Ou então a oferta são cursores, ícones, enfeites gratuitos para o computador. Nos dois casos, o resultado é o mesmo: clique na janelinha, e o spyware se instala no seu PC.
Daí, tipicamente acontece o seguinte: começam a pipocar, sem motivo aparente, dezenas de anúncios na tela do micro, que fica cada vez mais lento. A página inicial do navegador é alterada, e você não consegue mudá-la. Em alguns casos, o programa parasita também fica pulando, pedindo que você compre sua versão "completa". Alguns spywares chegam a gravar a sua navegação na rede, que é enviada para empresas de marketing, ou modificar o conteúdo de sites (fica impossível usar o Google, por exemplo).
Para completar, você não consegue desinstalar o bicho.
O que fazer? Primeiro, tenha bom senso. Só baixe programas de sites idôneos, como o Download.com, que oferece uma garantia contra o spyware. Vale consultar o www.stopbadware.org, recém-criado pelas Universidades Harvard e Oxford para investigar e denunciar os programas com spyware.
A outra medida é instalar, como complemento para o seu antivírus e para o firewall, o Microsoft AntiSpyware (veja quadro), que intercepta a entrada de parasitas no PC e ajuda a remover os já existentes.
Receita publicitária
Spyware é ilegal: duas empresas americanas acabam de ser multadas, em US$ 2 milhões, por distribuir programas do gênero. O irônico é que seus produtos, Spyware Assassin e SpyKiller, prometiam justamente eliminar parasitas do PC. Na verdade, eram softwares falsos, que não funcionavam.
Mas, então, qual o objetivo dos criadores de spyware? Ganhar dinheiro: a cada vez que você é atormentado por um anúncio pop-up, os criadores do programa parasita recebem uma pequena quantia.
Existem programas legítimos que vêm com parasitas embutidos: é o caso, por exemplo, do popular KaZaA (www.kazaa.com), para baixar músicas e vídeos. Ele jura que não tem spyware - mas traz quatro programas do gênero , que exibem propagandas na tela do PC.
Winfixer
No Brasil, o spyware que mais tem gerado queixas se finge de bonzinho: é o WinFixer. Ele promete consertar o Windows, mas torna o PC mais lento e, então, se oferece para corrigir o problema mediante pagamento. "Minha sobrinha usou o computador. Aí, quando fui desligá-lo, apareceu esse raio de WinFixer. Meu marido teve que passar a Restauração do sistema (recurso do Windows)", diz a tradutora Ana Luiza Iaria. Não é a primeira vez que ela é vítima: "Antigamente, tinha aquele Gator, que aparecia toda hora", diz, referindo-se a um spyware pioneiro.
O WinFixer incomoda tanta gente que já surgiu um programa dedicado a removê-lo: o WinFixerFix. Mas, como ele tem procedência incerta, não é recomendável instalá-lo. Prefira o Microsoft AntiSpyware.
Navegador
É possível, em alguns casos, que o spyware entre sozinho no PC, ou seja, sem que você faça nada - basta acessar, com determinadas versões do Internet Explorer, um site contaminado. Para reduzir o risco, você deve atualizar o Windows com os últimos consertos da Microsoft (windowsupdate.microsoft.com) e prestar bastante atenção ao navegar na rede - o Explorer mostrará uma barrinha de advertência antes de permitir a instalação de programas. Só autorize a operação se você sabe o que está fazendo, ou seja, se conhece o software que está baixando e o obteve num site idôneo.
Também cogite trocar o navegador Explorer por uma alternativa gratuita, como o Opera (www.opera.com) e o Firefox (www.mozilla.com), que são menos suscetíveis ao spyware.
Grampo
Se configurados corretamente, o Opera e o Firefox oferecem proteção contra os "cookies rastreadores", que grampeiam partes da sua navegação na internet e são a forma mais antiga de spyware. Quando você navega na internet, os sites enviam pequenos arquivos de texto para o computador: são os chamados "cookies", mais antiga e comum forma de spyware.
Os cookies atribuem um número de série ao PC, ou seja, o identificam. Isso traz uma comodidade - evita que você precise digitar a sua senha ao acessar serviços online (webmail, por exemplo) -, mas permite que empresas de Marketing, como a americana DoubleClick (www.doubleclick.com), vigiem os seus passos, ou seja, saibam quais páginas você acessou.
No Firefox , clique em Ferramentas/Opções. Na janela exibida, entre em Privacidade e Cookies. Aperte o botão Limpar cookies agora e, para completar, vá até o item Validade do cookie e selecione a opção "Até sair do Firefox". Dessa forma, os cookies não serão eternos, ou seja, o navegador os apagará periodicamente.
Sem cookies eternos, as suas senhas não serão gravadas. Para não ter que digitá-las toda vez, use os gerenciadores de senhas do Firefox ou do Opera - eles surgem automaticamente quando você digita uma senha pela primeira vez.
O Estado de S. Paulo, Bruno Garattoni, 30 de janeiro de 2006
