Conceito de inclusão digital deve ser reavaliado
A assessora do Ministério da Educação e coordenadora de pesquisa no Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (LEC/UFRGS), Léa da Cruz Fagundes, abordou o tema “Modelos de Uso na Tecnologia digital para inovações na educação” na palestra “Um computador por aluno”, realizada esta manhã no Consegi 2008.
Léa iniciou sua apresentação abordando sua motivação pessoal pelo tema: “Eu tenho quase 60 anos de magistério e, por isso, afirmo que o maior problema da educação é o conservadorismo dos professores”. Ela contou algumas de suas viagens pelo mundo para visitas em escolas, com o objetivo de conhecer suas metodologias de ensino e a inserção da informática neste contexto: “Em Madri, durante uma visita, conversei com o coordenador do projeto de inclusão de tecnologia digital na escola. Ele daria aula de matemática para alunos da sexta série e me convidou para assistir. Fui e percebi que a inclusão da informática era simplesmente o uso da lousa eletrônica, ou seja, em vez de utilizar o apagador no final da aula, ele apertava o 'delete'”.
Para Léa, “o problema é este conceito de inclusão digital, que está errado. Não devemos pensar em colocar computadores para os alunos e, sim, como fazer a inclusão da cultura digital. A escola faz da informática uma disciplina e a utiliza para fazer o que os professores já fazem”. Ela fez outras críticas ao método de ensino: “Ele é um desperdício da inteligência humana, porque não estimula a pensar, apenas a decorar”.
Léa disse que discorda do preconceito contra o ensino no Brasil: “Os professores brasileiros não são coitadinhos e os alunos não são ruins. O que acontece é a falta de estímulo e estrutura”. E apontou os caminhos para o avanço: “O ensino no Brasil vem melhorando muito, mas ainda precisa de investimentos nos profissionais, nas instituições e, principalmente, na prática educacional”.
Durante sua apresentação, ela afirmou que o Ministério das Comunicações ordenou às empresas de telecomunicações que providenciem internet com banda larga em todas as escolas do país até 2010. O dado também foi apresentado pelo Gerente de Projetos da Secretaria de Telecomunicações do Ministério das Comunicações (MC), Jovino Francisco Filho, no painel “Governo Eletrônico: os desafios em direção as necessidades da Sociedade”, realizado também pela manhã. Para ler a matéria a respeito do painel, clique aqui.
Construção de Conhecimento Livre na América Latina
Enquanto Léa palestrava, ocorria, em outra sala do Consegi, a palestra “Construção do Conhecimento Livre na América Latina”, que foi apresentada pelo diretor técnico da Universidade de las Ciencias Informáticas de Havana, Renier Pérez García, e pelo assessor do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Djalma Valois.
Renier apresentou o sítio da Universidade (http://www.uci.cu/) e comentou sobre alguns avanços obtidos durante sua gestão: “Nós temos teleaulas em mais de 20 disciplinas e estimulamos muito a pesquisa”. Em seguida, Djalma apresentou o sítio do Centro de Difusão de Tecnologia e Conhecimento (http://cursos.cdtc.org.br/), que possui cursos virtuais de ShellScript, Wine, Bind, Criptografia, dentre outros. De acordo com o ranking do CDTC, das empresas públicas que mais realizam cursos, o Serpro ocupa o segundo lugar, atrás apenas da Caixa Econômica Federal.
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Comunicação Social do Serpro - Brasília, 29 de agosto de 2008
