Notícia
Segurança Digital
Último dia do Aviation Digital Week 2026 é marcado por discussão sobre privacidade e prevenção de fraudes na era digital

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) já completou seis anos de vigência e cinco de aplicação efetiva, mas a cultura em torno da divulgação, do uso e do tratamento de informações ainda está em construção. É nesse cenário que se inseriu a palestra sobre Privacidade e Antifraude, realizada no último dia do Aviation Digital Week 2026, cujo objetivo foi reforçar a confiança do usuário nos sistemas de governo. Para contribuir com essa cultura de proteção, o debate também desmistificou alguns dos equívocos mais comuns sobre a responsabilidade na proteção de dados.
“Quando a gente pensa nas diversas transformações digitais, fala-se muito em eficiência e agilidade. Mas não podemos nos esquecer que vivemos em um mundo de ameaças. Temos, infelizmente, ataques cibernéticos, exploração de dados e engenharia social, situações que têm aumentado ainda mais com o uso intensivo de IA”, alertou o Encarregado de Dados da Anac, Vitor Ramos.
Para ele, o desafio que o governo enfrenta é de justamente garantir a prevenção contra diversos tipos de fraude sem ultrapassar os limites de respeito à privacidade dos dados do cidadão.
Mitos
O primeiro mito sobre a proteção de dados, que já esteve bastante em voga na administração pública é o de que, para prevenir fraudes, seria necessário coletar quantidades cada vez maiores de dados. “Isso não é verdade, volume não equivale à capacidade de análise”, explicou a superintendente de Proteção de Dados e Antifraude do Serpro, Débora Sirotheau. “Os dados coletados para essa finalidade devem ser, antes de tudo, pertinentes. O foco está mais na qualidade e não na quantidade de informações. Inclusive é bom lembrarmos que a minimização da quantidade dados é considerada, por si mesma, uma medida de proteção”, pontuou.
Um segundo mito é de que uma proteção de dados rigorosa traria uma maior dificuldade para a identificação de fraudes. “É justamente o contrário. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) não veio para dificultar o trabalho de ninguém, mas regular procedimentos, tornando os ambientes mais seguros para todos. Se coletamos apenas os dados necessários, com responsabilidade e inteligência, contribuímos para uma maior segurança digital”, avaliou Vitor.
Pergunta
Uma pergunta relevante que tem sido formulada pela administração pública é a de como evitar que eventuais erros da inteligência artificial prejudiquem o cidadão. “Temos que levar em conta que as respostas trazidas pela IA não são determinísticas, mas probabilísticas. Portanto, a chance de que ela erre é real”, lembrou Débora. Para a superintendente, é necessário um mapeamento preciso dos impactos diante de eventuais erros, com planos de contingência e, antes de tudo, não abrir mão da contestabilidade e de uma supervisão humana significativa. “Não se trata apenas de tecnologia, mas de governança”, resumiu.