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Segurança Digital
Cinco hábitos simples para se proteger de golpes digitais

Um link que promete resolver uma pendência. Um pedido de dinheiro que parece vir de um parente. Uma mensagem com prazo curto e tom de urgência. Essas abordagens são típicas de golpes digitais, e os registros desse tipo de crime cresceram no Brasil.
Em 2025, o país registrou 346.753 ocorrências de estelionato por meio eletrônico, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. Os registros policiais, porém, mostram só parte do quadro. Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de março de 2026, aponta um cenário pior. Entre as pessoas com 16 anos ou mais, 15,8% foram vítimas de golpe ou perderam dinheiro pela internet ou pelo celular no último ano. São 26,3 milhões de pessoas.
“Muitas vezes, o golpe digital começa explorando algo muito humano. A gente confia, fica curioso, se preocupa ou está com pressa, e o criminoso se aproveita disso. Ele cria um senso de urgência para que a pessoa aja antes de parar para pensar. Por isso, segurança digital também é comportamento. Desconfiar, verificar e não agir por impulso são atitudes essenciais para não cair em golpes”, destaca José Rubens de Araújo, da área de Riscos de Segurança da Informação e de Continuidade de Negócio do Serpro.
De acordo com ele, cinco hábitos ajudam a reduzir esse risco. Nenhum deles exige conhecimento técnico avançado. Confira a seguir.
1. Ative a verificação em duas etapas
A verificação em duas etapas é uma proteção extra para a conta. Além da senha, o serviço passa a pedir um código ou uma confirmação. Assim, quem descobrir a sua senha ainda não consegue entrar.
José Rubens recomenda ativar o recurso sempre que ele estiver disponível. Comece pelo e-mail, pelo banco, pelos aplicativos de mensagens e pelo gov.br. No aplicativo gov.br, o caminho é “Segurança da conta” e depois “Verificação em duas etapas”. A conta precisa ter nível prata ou ouro para ativar esse recurso.
2. Use uma senha diferente em cada conta
Repetir a senha em vários serviços multiplica o estrago de um vazamento. O especialista do Serpro orienta usar senhas longas e evitar reutilizá-las. Segundo ele, também é recomendável guardá-las com segurança, por exemplo em um gerenciador de senhas. Com ele, você só precisa lembrar a senha principal.
3. Desconfie de urgência, prêmios e links
Mensagem que promete vantagem ou exige pressa merece uma pausa. Pergunte-se por que você foi escolhido e como a mensagem chegou até você. A ação simples de digitar o endereço do site direto no navegador, em vez de clicar no link recebido é uma boa prática. "Se precisar abrir um link, confira o endereço antes", alerta José Rubens.
Conferir o endereço, nesse caso, significa olhar o domínio, a parte logo antes do ".com" ou ".com.br". Golpistas imitam marcas conhecidas trocando letras por números (“banc0”) ou usando o nome da empresa só no início do endereço, como em "banco.site-falso.com".
4. Confira antes de pagar e confirme pedidos de dinheiro
Antes de concluir um Pix, boleto ou QR Code, verifique o nome e o CNPJ de quem vai receber. Se um parente ou conhecido pedir dinheiro por mensagem, confirme por outro canal, como uma ligação. "Golpistas já usam inteligência artificial para criar áudios e vídeos falsos de pessoas conhecidas", alerta o especialista do Serpro.
5. Atualize os aparelhos e baixe apps só de lojas oficiais
Atualizações corrigem falhas de segurança. Por isso, segundo José Rubens, manter o sistema operacional e os aplicativos atualizados é fundamental. Configure também o navegador para buscar atualizações automaticamente. Baixe aplicativos de lojas oficiais e de fontes confiáveis.