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Por trás de cada clique no gov.br, tem Serpro

Para quem utiliza, o gov.br cabe em uma tela: CPF, senha, reconhecimento facial e alguns cliques. Para funcionar em escala nacional, porém, a plataforma depende de uma arquitetura que integra órgãos públicos, valida identidades, processa milhões de requisições e se defende continuamente de tentativas de fraude.
Essa camada pouco visível para o cidadão foi apresentada pelo Serpro durante o painel “Desmistificando o gov.br: por trás do maior portal de serviços de governo do mundo”, realizado no dia 10 de junho, durante o Smart Cities Park, em Campina Grande, na Paraíba.
Os especialistas do Serpro Marilei Martins e Carlos Macapuna demonstraram que a plataforma vai muito além de um simples portal ou aplicativo. Ela representa uma estratégia de transformação digital coordenada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, por meio da Secretaria de Governo Digital, e sustentada pelo Serpro, com uma robusta infraestrutura tecnológica.
Um Brasil mais digital do que parece
Marilei iniciou a apresentação com uma provocação: “O Brasil é mais tecnológico do que muitas vezes reconhece”, disse. Ela citou serviços como a declaração do Imposto de Renda, a emissão de passaporte, a CNH Digital e a CIN, entre outros, como diferenciais do Governo Digital no país.
“O gov.br é uma das expressões mais abrangentes dessa transformação. A plataforma reúne mais de 177 milhões de usuários e permite o acesso a cerca de cinco mil serviços públicos federais, estaduais e municipais. Em abril, superamos a marca de 80 milhões de usuários únicos em um mês”, comemorou.
Ela explicou que a escala traz um desafio particular. “Diferentemente de uma empresa que desenvolve serviços para públicos previamente definidos, o governo precisa atender toda a população brasileira: pessoas com diferentes idades, níveis de escolaridade, condições de acesso à internet e familiaridade com ferramentas digitais”, complementou. E concluiu que construir uma experiência única para um público tão diverso exige equilíbrio permanente entre simplicidade, inclusão, disponibilidade e proteção de dados.
Identidade digital sob proteção permanente
Carlos Macapuna detalhou o ecossistema tecnológico do Acesso Gov.br, solução que permite ao cidadão utilizar uma única identidade digital para entrar em milhares de serviços. A centralização facilita a vida de quem não precisa manter cadastros e senhas diferentes em cada órgão. Ao mesmo tempo, aumenta a responsabilidade sobre a proteção dessa identidade.
“A operação envolve infraestrutura soberana, monitoramento ininterrupto, equipes especializadas, mecanismos de proteção contra ataques, análise de fraudes e atividades forenses. As medidas são revistas continuamente para acompanhar a evolução das ameaças digitais”, detalhou Macapuna.
O especialista também alertou que uma parte da segurança depende do comportamento do usuário e recomendou a todo cidadão e cidadã alguns cuidados fundamentais: ativar a autenticação em dois fatores, utilizar uma senha forte e exclusiva, manter telefone e e-mail atualizados e nunca compartilhar credenciais. “Antes de informar dados, o cidadão também deve confirmar se está em uma página oficial do governo”, lembrou.
Do serviço digital ao acesso a direitos
Os especialistas sinalizaram, no painel, que a próxima etapa do gov.br deverá avançar em direção a serviços cada vez mais integrados e proativos. “A perspectiva é que o Estado possa identificar necessidades e oferecer informações ou serviços no momento adequado e, assim, reduzir etapas, além de surpreender o cidadão”, avaliou Marilei.
A evolução inclui o fortalecimento da identidade digital nacional, novas possibilidades de integração, alternativas brasileiras às plataformas estrangeiras de autenticação e melhorias contínuas de segurança e usabilidade. “Garantir acesso ao ambiente digital significa também garantir acesso a direitos fundamentais”, finalizou Marilei.