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PBIA
Governo estrutura capacidade nacional de IA para sustentar a inteligência do Estado
O Governo do Brasil avançou, ao longo do mês de fevereiro, na articulação técnica para estruturar capacidades nacionais em inteligência artificial voltadas ao funcionamento do Estado. O foco está, prioritariamente, no desenvolvimento de modelos de linguagem em português, treinados a partir de bases nacionais e sob controle público. Nesse contexto, uma agenda técnica realizada na sede do Serpro, em Brasília, reuniu áreas do governo para aprofundar a definição do plano de trabalho da estratégia brasileira de inteligência artificial.
As discussões realizadas em agenda técnica liderada pelo Serpro e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) ao longo do mês permitiram consolidar o desenho do plano de trabalho da parceria Brasil-China. Paralelamente, o tema também avançou em rodadas de reuniões interministeriais, realizadas no Serpro, que reuniram representantes do MCTI, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), da Casa Civil e outros órgãos públicos com empresas brasileiras e chinesas, com foco na cooperação internacional e no alinhamento das políticas públicas relacionadas à inteligência artificial.
Ao comentar o tema em recente agenda institucional, o presidente do Serpro, Wilton Mota, destacou que a inteligência artificial integra uma estratégia mais ampla do Estado brasileiro. “O Brasil está avançando na construção de uma capacidade própria em inteligência artificial, articulada no âmbito do governo e em diálogo com parceiros estratégicos internacionais. Trata-se de uma agenda que envolve a cooperação no âmbito do BRICS e a criação de condições para que o país desenvolva seus próprios modelos de linguagem. O Serpro participa desse esforço como braço tecnológico do governo, preparado para sustentar tecnicamente essa inteligência pública”, afirmou.
A iniciativa está alinhada ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e parte do entendimento de que modelos de linguagem tendem a se tornar infraestrutura essencial para o funcionamento do governo. “Os grandes modelos de linguagem passam a impactar diretamente a capacidade do Estado de formular, executar e avaliar políticas públicas. Por isso, é estratégico que o país desenvolva essa competência internamente, de forma alinhada às suas prioridades”, afirmou Paulo Afonso, especialista em políticas públicas do MCTI.
A articulação técnica prevê a construção de capacidades internas em todas as etapas do desenvolvimento de modelos de linguagem, incluindo governança, curadoria de dados, arquitetura, treinamento e avaliação. “Não se trata apenas de usar inteligência artificial, mas de desenvolver conhecimento, formar pessoas e criar condições para que o Brasil domine essa tecnologia de forma alinhada às suas políticas públicas. Queremos um corpo técnico bem formado, e isso será centrado no Serpro”, completou Afonso.
Serpro como executor técnico da inteligência pública
Com atuação contínua em inteligência artificial desde 2017, o Serpro reúne experiência acumulada no desenvolvimento e na operação de soluções de IA aplicadas a sistemas estruturantes do Estado. Nos últimos anos, a empresa ampliou investimentos, estruturou equipes especializadas e consolidou ambientes próprios para experimentação, treinamento e validação de modelos, o que a credencia a liderar tecnicamente a execução da estratégia definida pelo governo.
“O Serpro precisa ir além da entrega de sistemas. Como braço tecnológico do governo, temos que sustentar a inteligência da tecnologia por trás dessas soluções”, afirmou Carlos Rodrigo Fonseca Lima, responsável pela área de inteligência artificial do Serpro. “Isso envolve domínio do ciclo completo de dados, arquitetura, treinamento, avaliação, segurança e ética para garantir que a inteligência do Estado seja construída e operada sob controle público”, completou.
Para o diretor de Negócios e Inteligência de TI do Serpro, André Agatte, a maturidade técnica acumulada pela empresa permite transformar diretrizes estratégicas em capacidade operacional concreta. “Executar essa agenda exige experiência em escala, domínio tecnológico e compromisso com a missão pública. O Serpro reúne essas condições e está preparado para sustentar a inteligência que dará suporte às decisões e políticas do Estado”, afirmou.
Coordenação estratégica e cooperação internacional
A Casa Civil acompanha a iniciativa como parte da coordenação das políticas estruturantes do governo, articulando o desenvolvimento de capacidades em inteligência artificial com agendas estratégicas já em curso. “A inteligência artificial hoje é um tema estratégico para o Estado brasileiro. Desenvolver capacidades próprias é essencial para garantir autonomia na formulação e na execução de políticas públicas”, afirmou Rodrigo Rodrigues da Fonseca, secretário-adjunto de Desenvolvimento Produtivo e Inovação da Casa Civil.