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MERCADO DE APOSTAS
Infraestrutura digital sustenta confiança no mercado brasileiro de apostas reguladas

O Serpro participou do painel “A Construção da Infraestrutura Digital no Mercado Brasileiro Regulado”, realizado no Rio de Janeiro, que reuniu especialistas do setor público, operadores e empresas de tecnologia para discutir como inovação, segurança e regulação estão estruturando a nova fase do mercado brasileiro de apostas regulamentadas. A construção de uma arquitetura tecnológica robusta tem sido um dos pilares para o funcionamento desse novo ambiente regulado no país.
Monitoramento em larga escala
O subsecretário de Monitoramento e Fiscalização do Ministério da Fazenda, Fabio Macorin, explicou que um dos principais desafios da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF) foi estruturar, em poucos meses, um sistema capaz de acompanhar um mercado recém-regulamentado e altamente dinâmico. “Hoje conseguimos visualizar tanto as operações das empresas quanto o comportamento dos apostadores dentro das plataformas, identificando padrões e eventuais outliers que indicam necessidade de atuação do regulador”, afirmou.
Segundo Macorin, a arquitetura tecnológica evoluiu rapidamente e hoje reúne módulos de autorização de operadores, recepção de dados e monitoramento das operações. “Apenas em 2025, primeiro ano de funcionamento da base de dados do sistema, foram recebidos cerca de 253 bilhões de registros, número que demonstra a escala da estrutura tecnológica criada para dar suporte à regulação”, afirmou o subsecretário. Para ele, o volume de dados já recebido mostra a dimensão do novo mercado e reforça a importância de sistemas capazes de processar informações em grande escala.
Tecnologia pública na base da regulação
Representando o Serpro, a superintendente de negócio Elaine Kato destacou que o funcionamento do mercado regulado depende de uma base tecnológica capaz de conectar regulador, operadores e laboratórios certificados de forma segura e integrada. “Quando olhamos para o novo mercado brasileiro, o que aparece na superfície são marcas e produtos. Mas, por trás disso, existe um ecossistema tecnológico complexo que precisa garantir integração contínua, segurança da informação e governança de dados”, explicou.
Ela apresentou o Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP), desenvolvido pelo Serpro para a SPA/MF, que centraliza o recebimento e o
monitoramento das informações enviadas pelos operadores. Segundo Elaine, o desenvolvimento do SIGAP foi orientado por três premissas fundamentais: segurança da informação, interoperabilidade e governança de dados. “Era necessário criar um sistema capaz de se integrar aos operadores autorizados, garantir a proteção de dados pessoais e assegurar que as regras regulatórias fossem efetivamente aplicadas no ambiente digital,” detalhou.
Ferramentas para jogo responsável
A superintendente também destacou soluções tecnológicas do Sigap voltadas à proteção do cidadão. Uma delas é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, implantada em dezembro de 2025, que permite que os próprios usuários solicitem voluntariamente o bloqueio da participação em apostas regulamentadas. “A ideia central dessa plataforma é permitir que o próprio cidadão possa limitar ou suspender sua participação em apostas reguladas. Ao oferecer esse mecanismo de controle, fortalecemos a prevenção de comportamentos de risco e a credibilidade do mercado”, afirmou. Atualmente, cerca de 340 mil autoexclusões estão ativas no sistema.
Outro recurso importante é o Módulo de Impedidos do Sigap, que realiza verificações automáticas para impedir o cadastro de beneficiários de programas sociais, como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada. “Temos aproximadamente 900 mil beneficiários bloqueados, impedindo que recursos destinados à inclusão social sejam utilizados em apostas", acrescentou Elaine.
Adaptação e certificações do setor
Do ponto de vista dos operadores, a CIO da Casa de Apostas, Livia Troise, destacou que o ano de 2025 foi marcado por um processo intenso de adaptação às novas exigências regulatórias e técnicas. “As certificações garantem que os jogos e os sistemas sejam auditáveis e rastreáveis. Todos os parâmetros precisam estar configurados para que possam ser testados e verificados por laboratórios independentes”, explicou.
Segundo ela, esse processo garante que as plataformas operem dentro de padrões técnicos rigorosos. No entanto, a proteção efetiva do apostador depende também do acompanhamento contínuo das operações. “O que realmente protege o usuário é o que acontece depois da certificação. É a capacidade de cada operador de monitorar o comportamento dentro das plataformas e agir rapidamente quando algo foge do padrão.”
Próxima etapa do mercado
Troise avalia que o setor entra agora em uma nova fase. Após o esforço inicial de adaptação às regras, o desafio será transformar a estrutura regulatória e tecnológica em eficiência operacional e melhor experiência para o usuário.
“Atualmente, abrir uma conta pode levar de cinco a dez minutos por causa das verificações necessárias. Isso pode prejudicar as casas de apostas que operam dentro da lei e abrir espaço para operadoras ilegais. Por isso, o próximo passo necessário é transformar toda essa base técnica em processos mais eficientes e inovadores, sem comprometer a segurança, mas com foco na experiência do usuário”, declarou.
Regulação da cadeia tecnológica
O diretor de Políticas Públicas da Unico, empresa que se autointitula a maior rede de verificação de identidade do mundo, Joelson Vellozo Jr., avaliou que a regulamentação dos fornecedores tecnológicos do setor,especialmente os provedores de verificação de identidade (KYC – Know Your Customer), tende a fortalecer o ecossistema do mercado regulado.“Quando se fala em segurança em um mercado digital, não adianta olhar apenas para um ponto da operação. É preciso observar toda a cadeia tecnológica que sustenta esse sistema. No fim do dia, a segurança é tão forte quanto o elo mais fraco dessa corrente”, completou.
Para ele, a regulamentação desses fornecedores cria um padrão mínimo de qualidade e segurança para as soluções que operam no setor. “Quando o regulador estabelece critérios claros, ele cria uma barreira técnica positiva. Isso dá previsibilidade para quem quer investir e operar de forma séria e, ao mesmo tempo, evita assimetrias competitivas entre empresas que seguem padrões elevados e aquelas que tentariam atuar com soluções de menor qualidade”, explicou.

Vellozo também destacou que o Brasil tem avançado ao utilizar tecnologia como instrumento de política pública na economia digital. “O país tem demonstrado uma capacidade importante de traduzir confiança em requisitos técnicos. O desafio agora é manter esse equilíbrio, garantindo segurança e integridade para o mercado sem comprometer a capacidade de inovação que caracteriza os ambientes digitais”, concluiu.
Evento internacional termina amanhã
O painel integrou a programação do SBC Summit Rio, evento internacional do setor de apostas e jogos online realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de março.
O Serpro está presente com o estande A852, em frente ao Speaker Lounge, com equipe técnica disponível para escuta ativa e diálogo direto com empresas e especialistas do setor.