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Há 50 anos, a RAIS ajuda o Estado brasileiro a compreender o trabalho no país

crédito imagem: Camila Cantarino/MTE
Há meio século, a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) acompanha as transformações do mercado de trabalho brasileiro e ajuda a sustentar políticas públicas voltadas ao emprego e à proteção social. A trajetória da RAIS foi celebrada nesta terça-feira, 27, em cerimônia realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Brasília, com participação de representantes do governo federal, pesquisadores e instituições parceiras.
Criada em 1975, com apoio do Serpro, a RAIS consolidou-se como uma das principais bases de dados do trabalho formal no Brasil. As informações declaradas pelas empresas subsidiam políticas públicas como abono salarial, seguro-desemprego, estudos econômicos, ações de qualificação profissional e análises sobre desigualdade salarial e mercado de trabalho. Atualmente, a base apoia mais de 40 políticas públicas em diferentes áreas do governo federal.
“A RAIS é um dos registros administrativos de maior relevância no contexto da geração e disseminação de informações sobre o mercado de trabalho brasileiro”, declarou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Ele também ressaltou a transformação tecnológica da base ao longo do tempo, desde os formulários físicos até a integração com o eSocial.
“Agora vamos poder analisar as folhas de pagamento, entender melhor por que persistimos em padrões regressivos e acompanhar com mais precisão as transformações do mercado de trabalho”, disse.
Marinho ainda citou o Serpro e a Dataprev como empresas fundamentais para a sustentação tecnológica das políticas públicas do país. “Essas duas empresas de tecnologia do nosso governo, do nosso Estado brasileiro, colaboram de forma determinante com as políticas públicas”, pontuou.
Infraestrutura tecnológica a serviço das políticas públicas
A diretora de Negócios Econômicos Fazendários do Serpro, Ariadne Fonseca, destacou a atuação histórica da empresa na sustentação tecnológica da RAIS. “O Serpro vem, ao longo desses 50 anos, desenvolvendo, sustentando, produzindo e armazenando os dados da RAIS”, afirmou.
A diretora também ressaltou o papel das empresas públicas de tecnologia na operação de políticas estruturantes do Estado brasileiro. “Sabemos da nossa obrigação e do nosso DNA de prover tecnologia e segurança para que o governo e o cidadão brasileiro consigam viver de forma cada vez melhor”, declarou.
Ariadne relembrou ainda o início da operação tecnológica da RAIS, quando os dados eram recebidos em formulários físicos e processados manualmente.
“Quando entrei no Serpro, em 1982, já ouvia falar da RAIS. Nós transcrevíamos os formulários. De lá para cá, ver a trajetória da RAIS é motivo de orgulho para todos nós brasileiros”, disse.
Dados que ajudam a compreender o Brasil
“Saímos de uma coisa em papel, que as empresas entregavam em agências bancárias, para sistemas integrados de estatística, como é hoje o eSocial”, afirmou a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montanher, que também destacou que a evolução tecnológica da RAIS ampliou a capacidade do governo de produzir análises e formular políticas públicas baseadas em evidências.
Para ela, a consolidação da série histórica permitirá ampliar estudos sobre o mercado de trabalho brasileiro e aprofundar análises sobre remuneração, vínculos empregatícios e transformações nas relações de trabalho.
Livro reúne análises sobre cinco décadas do trabalho formal no Brasil
A cerimônia também marcou o lançamento do livro RAIS 50 Anos, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego. A publicação reúne análises históricas, técnicas e estatísticas sobre a evolução da base e sua contribuição para a formulação de políticas públicas no país.
Além da solenidade de abertura, a programação contou com mesas temáticas sobre a trajetória histórica da RAIS, transformação tecnológica da base, recuperação da série histórica e uso dos dados em estudos sobre mercado de trabalho, desigualdade, saúde, educação e políticas públicas.
O seminário foi transmitido ao vivo pelo canal do Ministério do Trabalho e Emprego no YouTube e permanece disponível para acesso público.