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Serpro apoia Angola na estruturação de laboratório de inovação para acelerar transformação digital no setor público

O Serpro, estatal de inteligência em governo digital, participou, em Luanda, no último dia 26 de março, do lançamento do Laboratório de Inovação (i-Lab) do Serviço de Tecnologias de Informação e Comunicação das Finanças Públicas de Angola (SETIC-FP). A iniciativa marca um avanço na modernização do Estado angolano ao inaugurar um ambiente voltado à transformação digital e à melhoria dos serviços públicos no país africano.
O lançamento reuniu autoridades e lideranças dos dois países e evidenciou a cooperação internacional em governo digital, com a presença de representantes do governo angolano e do Serpro, incluindo o presidente da estatal, Wilton Mota. Na ocasião, o diretor-geral do SETIC-FP, Edilson Coelho, ressaltou a importância da parceria para a consolidação do i-Lab. “A implementação da assinatura digital mostra como a cooperação entre Angola e Brasil pode gerar soluções concretas para o setor público. O Serpro contribuiu com sua experiência, enquanto o SETIC-FP liderou a execução da solução no país”, afirmou.
Soberania digital como base da inovação
Durante o evento, o presidente Wilton Mota afirmou que a inovação no setor público deve estar diretamente associada à soberania do Estado. “A inovação no setor público não é apenas sobre tecnologia, é sobre soberania. Precisamos de ambientes como o i-Lab para experimentar, errar rápido em pequena escala e acertar com precisão na entrega ao cidadão”, disse.
Segundo ele, essa transformação passa pelo controle estatal sobre dados e infraestrutura crítica. “O Estado precisa ser dono do seu destino digital. Isso exige domínio sobre a orquestração dos dados e a eliminação de dependências externas que possam oferecer riscos à segurança”, afirmou. “Podemos utilizar tecnologias de grandes players, mas a gestão e a segurança precisam estar sob controle estatal.”
Mota também ressaltou a experiência do Serpro na administração de grandes volumes de informação como diferencial para apoiar governos nesse processo. “Estamos falando de dados em escala massiva. O Serpro já acumulou mais de 50 petabytes de dados e, com a reforma tributária, a previsão é gerar cerca de 4 petabytes por ano apenas na Receita Federal”, explicou. “É nesse contexto que a Nuvem Soberana ganha relevância, garantindo proteção, autonomia e entrega de valor real para o cidadão.”
Parceria estratégica e primeiras entregas
Parceiro estratégico da iniciativa, o Serpro atua na estruturação do laboratório e no apoio técnico às primeiras soluções, contribuindo para a implantação de um modelo de inovação focado em resultados, com experimentação e escalabilidade.
O i-Lab já nasce com uma prova de conceito em andamento: a implementação da primeira solução pública de assinatura digital de documentos no Estado angolano, integrada ao Sistema Integrado de Gestão de Documentos (SIGD). Desenvolvida pelo SETIC-FP, com apoio do Serpro, a solução foi projetada para ser escalável e interoperável, permitindo sua utilização em diferentes sistemas da administração pública.
Ao comentar o potencial do laboratório, o diretor-geral do SETIC-FP reforçou o papel estratégico da iniciativa. “O i-Lab cria as condições para desenvolvermos soluções alinhadas às prioridades do Estado, com foco em eficiência e impacto real para o cidadão. É um passo estruturante para o futuro da gestão pública em Angola”, afirmou Coelho.
Após a apresentação do projeto, Mota reforçou que o domínio sobre o negócio e a gestão das soluções são fatores determinantes para o sucesso das iniciativas digitais. “Quem administra as soluções e a segurança dos dados legitima a tecnologia. Esse é o conceito de um Estado dono do seu destino digital”, destacou.
A atuação internacional integra uma estratégia mais ampla de posicionamento institucional. “Para o Serpro, internacionalizar vai muito além de expandir a carteira de clientes. Trata-se de consolidar uma estratégia sólida, sustentada por nossa capacidade institucional e por um posicionamento global cada vez mais relevante”, afirma Carlos Alexandria, superintendente de Negócios do Serpro.
Em pouco mais de um ano de atuação em Angola, o time de consultores do Serpro, em parceria com o SETIC-FP, vem construindo entregas consistentes e de alto impacto em diversas frentes, como infraestrutura, desenvolvimento, segurança, comunicação, processos, gestão de pessoas e inovação. “Esse primeiro contrato traduz, na prática, nossa capacidade de atuar de forma integrada, adaptando nossa expertise a diferentes realidades e gerando valor concreto. Os resultados alcançados em Angola reforçam o Serpro como um parceiro estratégico na transformação digital de governos e ampliam, de forma consistente, nossa prontidão para enfrentar desafios ainda mais complexos”, conclui Alexandria.
Legitimidade e escala: desafios da inovação pública
O debate durante o evento também destacou os desafios para que a inovação gere impacto real no setor público. No painel “Experimentar para Transformar: Como a inovação pública sai do laboratório e gera impacto real”, a gerente de Marketing do Serpro, Tatiana Queiroz, afirmou que o principal obstáculo está na legitimação das iniciativas. “Não basta que uma ideia seja tecnicamente sólida ou permaneça isolada em um laboratório; ela precisa ser reconhecida como necessária e viável por quem decide e por quem usa. Sem essa legitimação, a inovação não ganha escala nem gera impacto real”, disse.
Segundo ela, a legitimidade se sustenta em três pilares. “O primeiro é resolver problemas reais. O segundo é garantir capacidade de implementação, seja com recursos próprios ou por meio de parcerias. E o terceiro é contar com o apoio da alta gestão”, explicou. “Sem esses elementos, a inovação corre o risco de permanecer isolada dentro das organizações.”
Tatiana também destacou que a escala depende da conexão com a estratégia institucional e da atuação em ecossistema. “Inovação que não está conectada à estratégia vira iniciativa pontual. O modelo que estamos implementando no SETIC-FP considera tanto as capacidades internas quanto as parcerias da chamada quádrupla hélice, ou seja, parceiros do setor público, da academia, setor privado e sociedade. É essa integração que permite transformar iniciativas em soluções com impacto real”, concluiu.
Na mesma linha, o coordenador da Unidade de Inovação e Inteligência de Negócios do SETIC-FP, Maer Neto, reforçou a importância de orientar a transformação digital para resultados concretos. “A transformação digital das finanças públicas só faz sentido quando gera valor real. O i-Lab permite testar soluções, medir impacto e escalar aquilo que efetivamente melhora os serviços”, destacou.