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Meio Ambiente

Serpro corta emissões pela metade e supera meta climática antes do prazo

Estatal migra para energia limpa, substitui gases poluentes e usa inventário de carbono para transformar dados em decisões. O resultado é uma queda de 45,5% nas emissões desde 2019, quase o dobro da meta estipulada até 2030
Esfera de vidro sobre vegetação exibindo símbolo de redução de CO₂ e ícones de sustentabilidade, reciclagem, energia limpa e preservação ambiental. Ao lado, texto destaca a campanha “Mês do Meio Ambiente 2026”
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por Comunicação do Serpro — 08 de junho de 2026

Operar data centers, processar milhões de transações por dia e manter a infraestrutura digital do governo federal tem um impacto ambiental. O Serpro, empresa estatal de inteligência em governo digital, sabe disso com precisão. A empresa mede suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) anualmente, publica os resultados e usa esses dados para tomar decisões concretas de gestão. O modelo vai de um inventário corporativo de carbono a ações que já geraram queda de 45,5% nas emissões totais entre 2019 e 2025, superando cinco anos antes do prazo a meta assumida para 2030.

Para chegar a esse resultado, a empresa atua em três frentes. A primeira é a transição para energia renovável, com migração para o mercado livre e instalação de usinas solares próprias. A segunda é a substituição de gases refrigerantes de alto impacto climático nos sistemas de climatização. A terceira é a eficiência operacional nos data centers, que concentram grande parte do consumo energético da empresa.

O inventário como instrumento de gestão

Por trás de cada uma dessas frentes está um inventário corporativo de carbono, elaborado anualmente desde 2021 com base no padrão internacional do GHG Protocol. O documento funciona como ferramenta de diagnóstico, revelando onde estão as emissões, em que volume e com que potencial de impacto.

O primeiro inventário tornou o problema visível. O levantamento de 2019 mostrou que 94% das emissões do Serpro vinham do consumo de energia elétrica, dos gases refrigerantes nos sistemas de climatização dos data centers e dos gases em extintores de incêndio.

“Sem os dados do inventário, teria sido muito mais difícil identificar a dimensão real das emissões e priorizar ações com base em critérios técnicos”, afirma Francisco Gualberto Santos Filho, gerente de Obras e Infraestrutura de Instalações do Serpro.

A medição é feita por equipe de profissionais do Serpro treinados e certificados nas metodologias do GHG Protocol e da Fundação Getulio Vargas (FGV), que coordena o programa no Brasil. “Os dados são atualizados trimestralmente e alimentam indicadores do planejamento estratégico da empresa”, indica o gerente.

Energia limpa

O consumo de energia elétrica responde pela maior fatia das emissões do Serpro. É também onde a empresa tem avançado com mais velocidade nos últimos meses.

Desde abril de 2026, seis dos dez prédios do Serpro operam com energia renovável após a migração para o mercado livre de energia, modelo em que grandes consumidores negociam diretamente com fornecedores. A empresa contratou energia eólica, solar e de biomassa, com certificação de origem.

O impacto é duplo. No lado financeiro, a economia estimada é de R$ 4 milhões em 2026, podendo chegar a R$ 8 milhões por ano com a migração completa dos prédios. No lado ambiental, a projeção é de queda de 55% nas emissões, associadas ao consumo de eletricidade, quando todos os edifícios estiverem operando com fontes renováveis.

Paralelamente, o Serpro iniciou a instalação de usinas fotovoltaicas em quatro regionais ainda em 2026. Outras cinco localidades estão previstas para 2027. O investimento estimado é de R$ 22 milhões. Segundo Elayne Caroline Rosa Dal Col, superintendente de Logística do Serpro, a expectativa é que essas unidades produzam entre 30% e 85% da energia que consomem, com retorno projetado em cinco anos.

Gases refrigerantes

O inventário também revelou um problema menos visível: os gases usados na refrigeração dos seus prédios. Parte dessas substâncias não é coberta pelo Protocolo de Quioto e ficava fora do radar de gestão. Esses gases têm alto potencial de aquecimento global. A partir dos dados do inventário, o Serpro passou a eliminar gradualmente seu uso, em linha com protocolos ambientais que preveem a substituição dessas substâncias até 2040.

Os resultados são expressivos. Segundo Francisco Gualberto, com os retrofits em sistemas de climatização as emissões associadas a esses gases caíram de 1.032,47 tCO₂e em 2023 para 257,04 tCO₂e em 2025, queda acumulada de 75,1% em dois anos.

Meta definida e meta batida

O Serpro adotou a metodologia da Science Based Targets initiative (SBTi), que traduz as metas do Acordo de Paris para cada organização. Com base nessa ferramenta, estabeleceu em 2021 a meta de reduzir 27,5% das emissões até 2030, em relação ao ano-base de 2019. Em 2025, a meta já havia sido superada. As emissões caíram de 5.157 tCO₂e para 2.811 tCO₂e, redução de 45,5%, quase o dobro do compromisso assumido.

Para Gualberto, o resultado antecipado não vai encerrar o trabalho. “Esses números reforçam a viabilidade das frentes operacionais ainda em curso”, aponta.

Transparência verificada

O Serpro participa do Programa Brasileiro GHG Protocol desde 2023. Em outubro de 2024, recebeu o Selo Prata. Em agosto de 2025, avançou para o Selo Ouro.

"A progressão do Selo Prata para o Selo Ouro representa uma maturidade maior nos processos de controle interno e na robustez da coleta de dados. Com o Ouro, o inventário passa por auditoria externa independente, o que amplia a transparência corporativa perante o Registro Público de Emissões", afirma Valéria Lemos Silva, coordenadora do Projeto Estratégico Ser ESG.

O inventário 2025 foi verificado pelo Instituto Totum de Desenvolvimento e Gestão Empresarial com nível de confiança razoável, seguindo a norma ABNT NBR ISO 14064-3:2007. O programa foi criado pela FGV em parceria com o World Resources Institute (WRI) e é considerado a maior base de dados pública de inventários corporativos de GEE da América Latina.

Contexto institucional

O trabalho integra a agenda ESG (ambiental, social e de governança) do Serpro. A empresa foi classificada no nível E3 de maturidade em práticas ESG no âmbito da Prática Recomendada ABNT PR 2030, referência nacional de sustentabilidade corporativa, o que indica que já estruturou processos para mitigar riscos e melhorar a eficiência operacional.

"Esse rigor no processo é o que sustenta os próximos passos. A expectativa é que a combinação entre contratação de energia limpa e geração própria contribua para elevar nosso nível de maturidade ESG nos próximos ciclos, em linha com os padrões definidos na Prática Recomendada ABNT PR 2030", completa Valéria Lemos Silva.

Mais informações sobre as iniciativas de sustentabilidade do Serpro estão disponíveis em serpro.gov.br/menu/sustentabilidade.

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