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IA soberana
Serpro discute aliança estratégica com instituições públicas e privadas para impulsionar IA soberana no Brasil

O Serpro participa das discussões para a criação de uma aliança entre instituições públicas e centros de pesquisa voltada ao desenvolvimento de uma infraestrutura nacional de inteligência artificial. A iniciativa busca garantir maior autonomia tecnológica ao país, com controle sobre dados, modelos e algoritmos utilizados em sistemas de IA.
A articulação foi debatida em um workshop realizado na última quinta-feira, 5, no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A iniciativa é liderada pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e reúne instituições consideradas âncoras do ecossistema de inteligência artificial no Brasil.
“Neste momento, estamos trabalhando com instituições como Petrobras, o Laboratório Nacional de Computação Científica, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e o Serpro. Temos previsão de convidar novos atores, mas primeiro vamos consolidar o projeto com os participantes atuais”, explicou André Rafael da Costa, coordenador de Políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação do ministério.
Supercomputação como base da infraestrutura
Entre as contribuições possíveis do Serpro está a implantação de uma infraestrutura de processamento de alto desempenho (HPC — High Performance Computing), voltada ao processamento de grandes volumes de dados e ao desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial.
O projeto de supercomputação da empresa pública prevê ampliar a capacidade computacional para atividades como análise avançada de dados, modelagem estatística, reconhecimento de padrões e simulações complexas voltadas ao setor público.
A expectativa é que a infraestrutura contribua para dar mais segurança, agilidade e eficiência ao tratamento de informações estratégicas do governo, além de apoiar políticas públicas baseadas em dados.
Construção conjunta da pilha de IA
A proposta discutida no encontro envolve a criação de uma chamada “pilha de inteligência artificial soberana”, conceito que reúne diferentes camadas tecnológicas necessárias para o desenvolvimento de sistemas de IA, desde infraestrutura computacional até modelos e aplicações.
A construção dessa infraestrutura deve seguir o modelo de codesign, no qual universidades, empresas e governo participam conjuntamente do desenvolvimento das soluções tecnológicas.
“Temos interesse em participar do codesign e também vamos procurar trazer a academia, buscando possibilidades de parcerias nos diferentes níveis da pilha. Até porque, no ano passado, nossa empresa começou sua jornada de atuação com um ICT”, afirmou o assessor da diretoria do Serpro, Sérgio Kamache. “Hoje, talvez seja um dia muito importante. Demos início a um trabalho para gerar algum grau de independência em relação a um assunto que terá grande importância no futuro”, acrescentou.
Projeto estratégico para o país
Para os participantes do encontro, a iniciativa representa um passo relevante na consolidação da política brasileira de inteligência artificial. “A Pilha de IA é a ação mais ambiciosa do Plano Brasileiro de IA e, sem os atores que estão aqui presentes, ela nunca será alcançada. O lançamento dessa aliança é fundamental. Vai ser difícil, mas vamos aprender muito juntos”, afirmou Caetano Penna, diretor de Projetos e Relações Internacionais do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).
Paulo Curado, diretor de Inovação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), também destacou o caráter estruturante da proposta. “Começamos pelo caminho certo, discutindo as questões de forma estrutural. Estamos pensando grande aqui. Quanto à questão de recursos, penso que, com a qualidade do trabalho, eles naturalmente virão”, disse.
Serpro ICT
A participação da empresa na iniciativa também se conecta às atividades do Instituto de Ciência e Tecnologia do Serpro (Serpro ICT), criado para desenvolver pesquisas e soluções inovadoras voltadas ao setor público.
O instituto atua em áreas como inteligência artificial, governança de dados, cibersegurança, blockchain, automação e sustentabilidade digital, com o objetivo de antecipar tendências tecnológicas e apoiar a transformação digital do Estado brasileiro.