General
Serpro encerra participação na Latinoware em debate sobre segurança
O Serpro participou da conferência “Free and Safe in Cyberspace – LatAm Edition”, realizada no último dia da Latinoware 2015. A edição latino-americana é uma continuação do evento “Free and Safe in Cyberspace”, organizado pela Open Media Cluster, em Bruxelas (Bélgica), em setembro do ano passado. Deivi Lopes Kuhn, coordenador estratégico da empresa e secretário-executivo do Comitê Técnico de Implementação de Software Livre do Governo Federal (Cisl), apresentou um painel e participou de debate sobre segurança da informação.
Deivi apontou que, após o Decreto 8135, foi criada a necessidade de auditoria nos softwares. “O problema é que o Brasil é muito pequeno para auditar tudo que precisa. Precisamos mudar a sistemática”, explicou. Segundo ele, o Serpro tem uma preocupação muito grande em relação à segurança e combate a impossibilidade de auditoria com o investimento e com a adoção massiva de software livre. “A pior coisa é dizer que não temos o que fazer”, lamentou.
"Não confie no meu país"
Um debate foi travado com a mediação de Roberto Gallo, de empresa especializada em segurança, com participação de Deivi Kuhn (Serpro), Cel. Ricardo Camelo (CDCiber - Exército Brasileiro), Cel. Rogério Winter (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer - MCTI) e Jon “maddog” Hall (Linux International). O norte-americano ousou ao recordar que, no ano de 1996, veio ao Brasil pedindo colaboração entre as nações. Hoje, ele refletiu que a mensagem é outra: “não confie em meu país”, atentou.
Cel. Camelo defendeu que a segurança cibernética é um problema de todos, não só das instituições especializadas. Esclareceu que muitas variáveis estão envolvidas: interesses de empresas privadas, da sociedade civil, das áreas de inteligência, de tecnologia, sem esquecer o cidadão. “Teoricamente, existem modelos que agradam a gregos e troianos, mas, na prática, acredito que seria difícil uma solução que envolvesse tantas perspectivas. Creio que tanto a população deve ser mais esclarecida, quanto deve existir uma política de governo e uma legislação sobre a causa”, sugeriu.
Já o Cel. Winter, do CTI Renato Archer, enfatizou que as pessoas traduzem para o ambiente virtual o que acontece no ambiente real. “A gente confia nas pessoas, nos perfis, nos fabricantes. E ninguém valida, ninguém se certifica se está tudo correto mesmo”, lembrou. Segundo ele, o modelo atual de negócio é um dos maiores incentivadores da espionagem. Vender informação é muito lucrativo e isso também pode ser mudado.
A discussão é internacional
“Não fomos vítimas de uma ação de inteligência, mas de uma sabotagem de Estado. Fomos atacados e essa discussão tem que ser da Organização das Nações Unidas”, decretou Deivi Kuhn.
Referindo-se ao caso de espionagem internacional sofrida pelo Brasil, Deivi Kuhn atentou para que três coisas fossem diferenciadas: privacidade do cidadão, atividade de inteligência e sabotagem. “Não fomos vítimas de uma ação de inteligência, mas fomos vítimas de uma sabotagem de Estado. Fomos atacados e essa discussão tem que ser da Organização das Nações Unidas”, disse.
A Latinoware
A 12ª Conferência Latino-americana de Software Livre foi realizada de 14 a 16 de outubro de 2015, na cidade brasileira de Foz do Iguaçu/PR. Foram 370 horas de programação voltadas para o software e o hardware livre. Estiveram presentes 230 palestrantes e 4.259 participantes, sendo 488 destes oriundos de diferentes países, como Paraguai, Argentina, Peru, Equador, México, EUA e Inglaterra.