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Dia Nacional da Inclusão Digital
Como diminuir a exclusão digital no país?

Oficina de robótica, em Porto Alegre
Em um mundo repleto de tecnologias, pode parecer inacreditável que existam milhares de pessoas no Brasil sem acesso à rede mundial de computadores. Mas, infelizmente, isso é realidade. No total, 45,6% da população não teve acesso à internet via computadores em 2014, segundo a mais recente pesquisa do IBGE. Atento a isso, o Serpro, ao lado de parceiros, promoveu nesta segunda-feira, 28, em diferentes capitais do país, uma série de atividades como debates, palestras e oficinas em prol da construção de um futuro tecnologicamente mais inclusivo para os brasileiros. A iniciativa marca o Dia Nacional da Inclusão Digital, celebrado no domingo, 27 de março.
No diálogo inicial, os participantes frisaram que inclusão não é só proporcionar o acesso a bens tecnológicos e à internet. “É muito mais que isso. Inclusão digital é, também, inclusão social. Existe uma realidade impactante de muitas áreas onde as operadoras de telefonia não se interessam em chegar. É neste ponto que o governo entra. Estamos falando de internet para quilombolas, indígenas, crianças, jovens. Se hoje há crianças de um ano que usam tablets, nessas áreas há crianças e jovens que terão o primeiro contato com um computador, num telecentro, com oito ou mesmo 18 anos. Reduzir a desigualdade é o foco, pois isso trará desenvolvimento para essas pessoas no futuro”, ressaltou Renan Tolentino, da Secretaria de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações.
Antônio Carlos Miranda, coordenador do Programa Serpro de Inclusão Digital (PSID), acrescentou: “Não adianta ter muitos telecentros e conexões de internet se não tiver uma boa plataforma de capacitação, como uma escola a distância, onde os jovens possam, em casa, fazer cursos. Trabalhamos para oferecer a vocês oportunidades que antigamente não se via, antes da internet, que é esse objeto maravilhoso que tem tudo e pode ser bem explorado”, comentou o coordenador, olhando para os estudantes no auditório do Serpro em Brasília.
O futuro do país
Os jovens também foram o alvo de um lançamento realizado na data, o do curso a distância “Preparação para o Trabalho e Prática Social”. Animações, vídeos, infográficos, charges, fóruns, exercícios, tutoria: o curso traz vários elementos para capacitar virtualmente aqueles que querem ingressar no mercado de trabalho. Integra um dos módulos do e-Jovem, programa do governo do Ceará, e está previsto também para ser disponibilizado na Escola de Inclusão Sociodigital do Serpro. “O conteúdo poderá ser útil para qualquer jovem do Brasil, e mesmo para adultos”, adiantou Márcio Benedito, da Universidade Corporativa do Serpro, desenvolvedora da versão on-line do curso. “O Serpro transformou uma documentação em papel em uma ferramenta viva, interativa, e que é fundamental na oferta de educação para jovens e adultos que desejam estudar, mas que querem um diálogo com a vida real. Daí a importância que esse curso assume como uma formação para o trabalho”, destacou o secretário de Educação do Ceará, Maurício Holanda.
Houve ainda, na sequência, o lançamento da I Olimpíada Serpro de TI para Participação Social, uma competição saudável que estimulará o uso de ferramentas tecnológicas entre alunos de escolas públicas e que será sediada nas regionais da empresa – e começa agora por Belém. Outro destaque foi a apresentação da Rede Brasil Digital, portal que em breve propiciará a consolidação de dados e indicadores sobre os telecentros do país, além da oferta de serviços de e-gov para telecentristas cadastrados.
Mãos à obra
Crianças e adolescentes foram, repetidamente, o público da programação, nas diferentes localidades do Serpro. Em Porto Alegre, garotas e rapazes - aprendizes na empresa - tiveram noções de reciclagem de eletrônica, um dos fortes do trabalho desenvolvido pelo Centro Social Marista de Porto Alegre (Cesmar), que ministrou uma oficina de robótica. Eles criaram carrinhos com blocos de montar, acoplaram Arduinos e motores, e conseguiram fazer com que os carrinhos se movimentassem, compreendendo noções básicas tanto de mecânica quanto de programação de computadores. “Achei que ia ser uma coisa mais teórica, gostei muito de ter de usar criatividade para montar o carrinho”, disse a adolescente Crisley Quadros. “Foi a primeira vez que lidei com robótica, e gostei”, citou Gabriel Pertile.
Em Fortaleza, foi ministrada uma oficina sobre animação gráfica, pelo Instituto Idear, para uma turma de crianças e adolescentes da Pequeno Mundo, associação que conta com um telecentro do Serpro e atua na periferia da cidade. Lara Fábia (foto), de 10 anos, falou que tudo ali era novidade para ela. “Aprendi a movimentar um personagem de desenho, achei muito legal”, disse. “É como se fosse uma brincadeira séria. Já viram muito jogos no celular e na internet, mas hoje eles mesmo estão fazendo parte do processo, antes eram usuários e agora são desenvolvedores”, comentou João Paulo Pinheiro, monitor de informática da associação.
Já em São Paulo, a regional trocou experiências com membros do programa Osasco Digital e do projeto C3rco – Centro de Recuperação, Reciclagem e Recondicionamento de Computadores de Osasco. As iniciativas trazem educação integral com passeios e expedições urbanas como forma de contribuir para a formação sociocultural e a independência dos jovens. Neste sentido, há também o suporte para a geração de renda, que viabilizou a criação da cooperativa juvenil, um empreendimento de recondicionamento de eletrônicos. Abordaram ainda, na regional, o tema gamificação, algo que ganha cada vez mais espaço nos ambientes educacionais por estimular ganhos de criatividade.
Em Belo Horizonte, foi inaugurado um curso presencial em parceria com a escola municipal Padre Francisco Carvalho Moreira. O curso visa promover a educação digital de jovens, adultos e idosos que buscam dar os primeiros passos no mundo da informática. Outro destaque foi o bate-papo com o especialista do Serpro em mineração de dados Sérgio Dias, que mostrou um estudo de caso que utilizou dados do Portal da Transparência para avaliar fornecedores do governo e identificar possíveis comportamentos inidôneos, como a formação de cartéis. A mensagem que ele deixou é que cabe aos cidadãos se munirem com todas as ferramentas para atuar em prol de um país melhor. “As tecnologias da informação são fundamentais nesse cenário. Daí a importância da ampliação da inclusão digital, que não deve focar só no acesso, mas na formação de habilidades voltadas para a construção de conhecimento”, destacou.
Comunicação Social do Serpro - 29 de março de 2016