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Revista Tema
Serpro desbrava o mundo


Matéria publicada na Revista Tema — Edição 240
Nos últimos anos, o Serpro tem voltado seu olhar para o mundo. Hoje, a empresa mantém cerca de 260 contratos vigentes com 45 países, distribuídos em cinco continentes. Pela primeira vez, a estatal brasileira está conduzindo a transformação digital completa de um governo estrangeiro, atendendo a um pedido oficial de Angola. Os contratos internacionais do Serpro têm impulsionado a diplomacia digital brasileira, fortalecendo laços Sul-Sul e posicionando o país como referência em tecnologia da informação, especialmente na América Latina e na África. Os principais “produtos de exportação” da empresa envolvem validação de dados em tempo real com checagem em bases oficiais do governo, como é o caso do Datavalid e da Consulta CPF.
Angola: cooperação pela soberania digital
A parceria entre o Serpro e o governo de Angola teve início em 2023, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Luanda, com o objetivo de modernizar as finanças públicas e promover a transformação digital do país africano. Os primeiros resultados foram apresentados no Web Summit Rio 2024, e desde então a cooperação segue avançando, com workshops, missões técnicas e visitas institucionais realizadas ao longo de 2025, somando mais de duas mil horas de consultoria entre equipes brasileiras e angolanas.
O projeto busca impulsionar a eficiência operacional e a integração tecnológica em áreas estratégicas como inteligência artificial, segurança cibernética e plataformas digitais voltadas ao setor público. Segundo o diretor de Novos Negócios e Inteligência de TI do Serpro, André Agatte, a parceria simboliza uma nova etapa da diplomacia digital brasileira. “O Serpro compartilha sua experiência em governo digital e gestão estratégica de TIC soberana, contribuindo para que Angola construa uma infraestrutura moderna e segura, capaz de otimizar processos fiscais, reduzir custos e melhorar o atendimento ao cidadão”, diz.
Total de clientes por região
O principal parceiro local é o Serviço de Tecnologias de Informação e Comunicação para as Finanças Públicas (Setic-FP), vinculado ao Ministério das Finanças de Angola. A cooperação prioriza capacitação, benchmarking e transferência de conhecimento, com o propósito de expandir os serviços públicos digitais para além da área fiscal. Entre os marcos da iniciativa estão o apoio à criação de um Centro de Operações de Segurança (SOC) e de um Centro de Operações de Rede (NOC) para a administração fiscal angolana, ambos com transferência de expertise técnica brasileira. “O Serpro já havia participado de iniciativas técnicas pontuais em outros países, mas Angola é o primeiro caso de transformação digital governamental completa fora do Brasil. O projeto tem potencial para impactar 29 milhões de angolanos, em 21 províncias”, acrescenta o diretor André Agatte.
Além de Angola, o Serpro mantém contratos de validação de dados e identidade digital com diversos países, incluindo integrações via blockchain para aduanas do Mercosul e soluções de checagem de dados utilizadas em 45 países de cinco continentes.
Expansão internacional
O processo de internacionalização do Serpro começou em 2019, com a assinatura do primeiro contrato voltado a um cliente estrangeiro. A parceria inaugurou um novo ciclo de atuação global da estatal, levando a experiência brasileira em tecnologia pública para além das fronteiras. “Foi um sistema de validação de dados desenvolvido para empresas internacionais de jogos eletrônicos vendidos no Brasil”, relembra Rafael Ferreira, gerente de Negócios Digitais, Mercado Internacional e Gestão de Produtos do Serpro. A solução utiliza a base do CPF para verificar se menores de idade brasileiros podem ou não acessar determinados ambientes digitais. O projeto foi um sucesso imediato: o contrato cresce cerca de 100% ao ano e hoje figura entre as dez principais exportações de serviços do Serpro.
Desde então, a atuação internacional se expandiu de forma acelerada. De acordo com Rafael, o Serpro tem se consolidado como uma referência global em validação de dados e identidade digital, tornando-se uma “primeira parada” para organizações estrangeiras que desejam operar no Brasil com segurança. Atualmente, a empresa mantém a impressionante marca de mais de 260 contratos firmados em 45 países, distribuídos por cinco continentes. “Esse crescimento demonstra o esforço do Serpro em se posicionar como uma parceiro confiável e estratégica no mercado global”, afirma o gerente.
Essas parcerias envolvem desafios complexos. Os contratos internacionais estão sujeitos não apenas à legislação brasileira, mas também às normas dos países contratantes, o que exige um trabalho rigoroso das equipes jurídica e de contratos. “Seguimos rigorosamente a LGPD mas, quando o cliente possui uma legislação diferente, optamos sempre pelo padrão mais rígido de proteção, garantindo o máximo de segurança e conformidade”, explica Rafael.
Datavalid e consulta CPF: os campeões de vendas
Entre os serviços mais procurados pelos clientes estrangeiros estão a Consulta CPF e o Datavalid. O primeiro reduz riscos nas operações de empresas que atuam no mercado brasileiro, enquanto o Datavalid oferece validação biométrica de alta precisão, superando inclusive soluções disponíveis em países desenvolvidos. “Essas ferramentas proporcionam confiabilidade e segurança jurídica às transações internacionais e fortalecem a imagem do Brasil como um ecossistema digital maduro e seguro”, destaca Rafael.
Para o gerente, o momento simboliza o reconhecimento do Brasil como líder em transformação digital. “Estamos à frente de vários países considerados desenvolvidos. Os avanços que estamos promovendo, como os trazidos pela Reforma Tributária, nos colocam na vanguarda da modernização do Estado. Outros governos estão apenas iniciando essa jornada, e o Serpro pode contribuir com a experiência acumulada ao longo de seis décadas em tecnologia pública”, explica, antes de dar pistas sobre os próximos passos. “Já identificamos oportunidades enormes, principalmente na América Latina, África e Ásia”, conclui. E lá vamos nós mostrando que a tecnologia pública brasileira fala todas as línguas.