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Consciência Negra

Se os traços não fossem finos... ela não seria bonita?

por Comitê de Equidade de Gênero e Raça do Serpro — 28 de novembro de 2017
Comentário pressupõe que traços negros não podem ser bonitos

A campanha promovida pelo Comitê de Equidade de Gênero e Raça deste ano destaca comentários que podem ser feitos sem que se perceba a base racista que lhes dão sustentação.

Baseado em depoimentos de empregados e empregadas, a série busca evidenciar algumas formas de preconceito velado que ainda estão vivas no senso comum e causam danos importantes às pessoas negras. Desta vez, chamamos a atenção para a questão de padrões estéticos.

"Quando alguém justifica minha beleza associando-a a "traços finos", nas entrelinhas percebo que, para essa pessoa, esses traços finos me afastam da estética negra (como nariz largo, lábios grossos) e me aproximam da estética branca, instituída a partir de padrões europeus de fenótipo”, explica Thais Argolo, que faz parte do Comitê de Equidade de Gênero e Raça. “Acaba sendo uma declaração de que as características negras são feias. A imposição de um padrão estético com recorte racial, padrão que qualifica o outro como feio e, por isso, menos digno da aceitação, isso é racismo”, ressalta.

A percepção de que “traços finos” são mais bonitos não acontece por acaso, por uma coincidência de gostos pessoais, aponta o Comitê. O juízo de valor do senso comum é reforçado pela repetição, não declarada mas muito frequente, de que pessoas brancas são o modelo desejável de beleza, como demonstram diversos estudos, amplamente divulgados:

Brancos são sete vezes mais representados do que negros na publicidade
“Em suas últimas edições, o São Paulo Fashion Week chamou a atenção mais uma vez para o cenário de mudanças próprio de um início de século. Mas, apesar dos avanços, ainda é notório que a maioria das modelos continua correspondendo a um padrão europeu. ‘Olhamos para as passarelas brasileiras e parece que estamos olhando para a Suécia".

Novo estudo confirma sub-representação negra nas novelas da TV Globo
“Em média, nas 162 telenovelas brasileiras que foram ao ar pela TV Globo entre 1984 e 2014, 91,3% dos seus personagens centrais foram representados por atores e atrizes brancos.”

O negro na dramaturgia, um caso exemplar da decadência do mito da democracia racial brasileira
“Nenhum dos grandes atores negros parece ter escapado do papel de escravo ou serviçal na história da telenovela brasileira, mesmo aqueles que quando chegaram à televisão já tinham um nome solidamente construído no teatro ou no cinema, como Ruth de Souza, Grande Otelo, Milton Gonçalves e Lázaro Ramos. Essa afirmativa pôde ser constatada na pesquisa que fizemos sobre a representação do negro na história da telenovela brasileira, que deu origem ao filme e livro A negação do Brasil.”

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