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Serpro e Receita realizam encontro técnico internacional

Tema do evento foi uso de blockchain para troca de informações aduaneiras no Mercosul
Profissionais trabalham no desenvolvimento do bConnect
04 de julho de 2019

A tecnologia blockchain, famosa pela utilização em criptomoedas, será usada na esfera governamental para troca de informações entre países do Mercosul. Batizada de bConnect, a utilização dessa tecnologia foi tema de encontro colaborativo que reuniu delegações do Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina, na Regional do Serpro em Porto Alegre, de 1º a 5 de julho deste ano.

Os profissionais passaram a semana trabalhando no primeiro protótipo dedicado à troca de dados referentes a empresas cadastradas para operar no comércio exterior, atividade essencial para a aduanas dos países.

“O evento que ocorreu aqui em Porto Alegre não foi uma reunião de testes, um encontro pra brainstorm. Foi já a prototipagem do produto que estamos desenvolvendo em colegiado com outros países”, destacou Ronald Cesar Thompson, auditor da Receita Federal do Brasil.

“A previsão é de que a rede já esteja concluída nos próximos dias, para que até o começo de agosto comece a operar. Informações do comércio exterior do Uruguai passam a transitar pelo Brasil, assim como as do Brasil pelo Uruguai. Na fase seguinte, a expectativa é de que a troca de informações se entre todos os países do bloco”, explica Paulo Ramos, representante da Superintendência de Relacionamento com Clientes Fazendários e Comércio Exterior do Serpro.

Conexão

O evento foi o primeiro encontro sobre blockchain no Mercosul, e visa criar uma rede que conecte Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil para troca de informações, inicialmente sobre comércio exterior. “Começaremos esse processo com o Uruguai, e, talvez, já também com Paraguai. O produto se chama bConnect: b de blockchain, e connect, de conexão. Seu objetivo é conectar os países em uma rede, de forma segura”, explica Thompson.

“Além de segurança na execução, no blockchain existe um consenso construindo essa segurança das transações. Ou seja, vários participantes da rede têm de estar de acordo com aquela transação, com os valores que são determinados”, destaca Misael Santos, representante da Superintendência de Engenharia de Infraestrutura de TI do Serpro. “Outro ponto interessante é o compartilhamento imediato de dados, próprio dessa tecnologia. Significa acabar com a necessidade de enviar informações de uma organização pra outra, pois essas informações já estão na rede blockchain”, destaca Misael.

Soberanias preservadas

O profissional também aponta que blockchain é uma tecnologia que funciona com uma espécie de auditoria embutida. “É como se já houvesse uma grande auditoria em tudo que acontece nessa rede pela própria natureza da estrutura de dados utilizada. Tudo que acontece fica lá gravado, todas as transações, desde o início da rede até o fima da existência dela”, afirma.

Em um contexto der relações exteriores, blockchain resolver uma questão importante, ao permitir que se preserve a autonomia de cada uma das administrações aduaneiras. “Precisamos fazer com que as informações trafeguem. Porém, um país desenvolver um sistema e subordinar o outro não seria uma opção viável. Então a camada criada terá esse caráter confederativo, no qual os países se integram, sem se sobrepor, sem perder soberania”, destaca o representante da Receita Federal, Ronald Cesar Thompson. Com a assinatura do acordo com a União Europeia, seria aberta a perspectiva de bConnect ser utilizado com outros países, além dos que compõem o Mercosul. “É uma iniciativa disruptiva, que inova, inclusive, no panorama internacional”, avalia o representante da Receita Federal do Brasil.

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