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Revista Tema
Energia limpa como escolha de futuro


Matéria publicada na Revista Tema — Edição 240
Secas prolongadas, aumento na temperatura média global, perda de biodiversidade, eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. A lista de sintomas da crise ambiental em curso é conhecida e crescente. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), as emissões de gases de efeito estufa (GEE) continuam em níveis incompatíveis com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 °C. Nesse contexto, a transição energética deixou de ser uma opção e se tornou uma necessidade urgente. Apostar em energia limpa é, hoje, uma das decisões mais eficazes e imediatas que governos e organizações podem tomar para reduzir sua pegada ambiental. No Brasil, país com grande potencial para fontes renováveis, iniciativas nesse campo ganham força à medida que a sociedade cobra mais responsabilidade ambiental, e o setor público passa a incorporar a sustentabilidade como diretriz estratégica.
Foi nesse cenário que o Serpro, empresa de tecnologia da informação do governo federal, iniciou o processo de migração de parte de suas operações para o mercado livre de energia. O contrato, assinado em junho de 2025, permitirá que nove das principais unidades da estatal, entre elas as regionais de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, passem a consumir eletricidade exclusivamente de fontes renováveis a partir de 2026. O fornecimento será realizado pela empresa Matrix Comercializadora de Energia Elétrica, com um valor estimado de R$ 33 milhões e vigência de cinco anos.
Escolha consciente
“Mais do que um movimento de eficiência operacional, a decisão reflete uma postura alinhada aos compromissos globais de enfrentamento das mudanças climáticas”, declarou o diretor de Administração e Finanças do Serpro, Osmar Quirino. O executivo avaliou que o novo modelo permitirá ao Serpro controlar a origem da energia que consome, garantindo que ela venha de fontes como solar, eólica, hidrelétrica, geotérmica ou biomassa, todas com baixa ou nula emissão de carbono.

“Essa é uma escolha que olha para o futuro do planeta. Estamos assumindo nossa parcela de responsabilidade na construção de uma economia de baixo carbono, ao mesmo tempo em que mostramos que é possível conciliar tecnologia, gestão pública e sustentabilidade ambiental”, afirmou Valeria Lemos Silva, líder do projeto estratégico Ser ESG na empresa.
Até então, as unidades do Serpro estavam conectadas ao mercado regulado de energia, no qual não há controle sobre a matriz geradora e as tarifas são fixadas pelas distribuidoras. Com a mudança para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), a empresa passa a ter liberdade para negociar diretamente com fornecedores e exigir rastreabilidade da energia adquirida. O contrato assinado inclui essa obrigatoriedade: a empresa fornecedora deverá apresentar comprovação certificada da origem limpa da energia que será entregue.
Impacto ambiental mensurável
Os resultados esperados vão além da economia, que pode chegar a R$ 23 milhões até 2030. Segundo estimativas internas, cerca de 60% das emissões de gases de efeito estufa do Serpro estão ligadas ao consumo de energia elétrica nas regionais. Com a transição para uma matriz 100% renovável, essa parcela poderá ser substancialmente reduzida, contribuindo para metas concretas de descarbonização.
A energia limpa contratada também ajudará a empresa a cumprir compromissos de sustentabilidade assumidos nos últimos anos, incluindo a meta de reduzir suas emissões totais de 5.031 toneladas de carbono equivalente (tCO₂e), em 2019, para 3.648 tCO₂e até 2030.
“É fundamental compreender que, por trás de cada sistema tecnológico mantido pelo Serpro, de um portal de governo digital a um banco de dados estratégico, há um consumo significativo de energia. Quando essa energia vem de fontes poluentes, ela contribui para o agravamento da crise climática. Inverter essa lógica é uma decisão ética, política e ambiental”, analisou Valeria.
Planejamento em fases
O início do fornecimento está previsto para o segundo trimestre de 2026, com implantação prevista a partir do mês de abril. Antes disso, a empresa realizará adequações físicas em suas instalações, a fim de viabilizar a migração com segurança e confiabilidade.
“Entre as iniciativas em andamento, destacam-se a substituição dos sistemas de climatização por equipamentos de menor consumo energético e a realização de um diagnóstico completo da eficiência energética em todas as unidades do Serpro, que servirá como base para futuros projetos de geração própria de energia”, informou a superintendente de Gestão Logística da estatal, Elayne Dal Col.
Tecnologia que respeita o planeta
A contratação de energia limpa é apenas uma das ações que vêm posicionando o Serpro como protagonista da transição energética e da transformação verde no setor público. “A empresa vem adotando uma série de práticas de governança ambiental, como o monitoramento do consumo de água e resíduos, ações de compensação ambiental e a capacitação de suas equipes em temas ligados à sustentabilidade”, complementou o gerente de Obras e Infraestrutura de Instalações do Serpro, Gualberto Santos Filho.
A visão de futuro é clara: consolidar um modelo de governo digital que também seja verde. “Ser uma empresa pública significa, também, ter responsabilidade com o impacto social e ambiental das nossas decisões. Assumimos esse compromisso com seriedade e queremos inspirar outras instituições a seguirem o mesmo caminho”, concluiu Valeria Silva.
Em tempos de emergência climática, agir é a única escolha possível. E o Serpro está fazendo sua parte, conectando tecnologia e meio ambiente com a energia limpa que o futuro exige.
Como funciona o mercado de energia no Brasil
| Mercado Regulado | Mercado Livre (ACL) | |
|---|---|---|
| Origem da energia | Sistema Interligado Nacional (SIN) | Diretamente com a empresa geradora |
| Tarifas | Reguladas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) | Negociadas livremente entre consumidor e fornecedor |
| Matriz geradora | Sem controle por parte do consumidor | Consumidor pode selecionar apenas fontes renováveis |
| Emissão de carbono | Sem controle por parte do consumidor | É possível atingir baixa emissão ou até nula |
| Controle de origem | Não há rastreabilidade individual | Pode-se contratar energia com certificação de origem |